BioValue, da cana de açúcar ao querosene

Pesquisadores da UFV participam de projeto internacional que transforma biomassa em biocombustíveis próprios para aviação.

 

Em tempos de constante preocupação com as questões ambientais, nos deparamos com o conceito de biorrefinarias, cujo objetivo principal consiste na substituição de produtos e/ou processos provindos de fontes não renováveis por outros que utilizem a biomassa como matéria-prima. Embora ainda recente, a integração entre tecnologia e a inovação caminha a favor do meio ambiente, de forma que, aproveitando-se ao máximo o potencial gerado pela biomassa, isso possa também resultar no uso sustentável de recursos e minimização de impactos ambientais diversos.

Nesse contexto, pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) participam de projeto voltado à produção de biocombustíveis avançados (querosene de aviação), o BioValue – Valorização da cadeia produtiva descentralizada de biomassa visando à produção de biocombustíveis avançados: desenvolvimento e avaliação de rotas termoquímicas integradas à produção de biomassa e a rotas bioquímicas. A equipe de pesquisadores do Laboratório de Celulose e Papel, do Departamento de Engenharia Florestal da UFV, liderada pelo professor e engenheiro florestal Jorge Luiz Colodette, junto ao Grupo de Pesquisadores em Melhoramento da Cana-de-Açúcar da Universidade, coordenado pelo professor e atual pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Luiz Alexandre Peternelli, em parceria com o professor Marcio Henrique Pereira Barbosa são os responsáveis por representar a UFV frente ao consórcio brasileiro para a realização desse projeto.

O BioValue está alinhado ao consórcio parceiro europeu (BECOOL) que envolve 14 instituições e ampara-se de todo o know-how e experiências do Brasil e da União Europeia no que diz respeito a produção de biomassa e biocombustíveis lignocelulósicos avançados. Possui como objetivos o desenvolvimento de novos sistemas agrícolas e diversificação de culturas para a produção avançada de biocombustíveis; a logística de biomassas e processos de conversão eficientes, incluindo rotas bioquímicas e termoquímicas e as avaliações integradas técnicas, econômicas, ambientais e de sustentabilidade social de todas as cadeias de valor.

De larga escala e profundidade científica, o BioValue dispõe de grande visibilidade, devido ao número de instituições participantes (ao todo, são 20 órgãos participativos, dentre universidades, empresas e fundações) e reflete na sociedade por possuir alto impacto econômico e ambiental, uma vez que utiliza de resíduos para gerar combustível. Segundo Colodette, há uma pressão quanto à substituição dos derivados do petróleo e, no caso dos aviões, a melhor alternativa em termos de combustíveis líquidos para essa troca é o bio-querosene.

A parceria com a Funarbe

Em Minas Gerais, o BioValue envolve recursos da Fapemig e de empresas privadas, é coordenado pela UFV e recebe apoio da Fundação Arthur Bernardes (Funarbe) no gerenciamento de recursos.

“A Funarbe se destaca como sendo uma instituição bem estruturada para cuidar de todos os trâmites necessários para a realização de uma boa pesquisa, é muito eficiente e serviu de grande auxílio no decorrer de todo o processo. Se não fosse a fundação, haveria muitas dificuldades no momento da prestação de contas. A flexibilidade de adequação às particularidades de cada projeto é outro ponto positivo para a fundação”, destaca Colodette.

Ele ainda ressalta a importância da participação de alunos de graduação e pós-graduação da Universidade, de modo a contribuir para a formação de profissionais mais preparados e com uma visão mais estratégica da Engenharia Florestal, por possuírem um olhar que dialoga entre a pesquisa e o mercado.