Amazônia Sustentável

Menos degradação, menos desmatamento e melhor utilização das terras que já estão desmatadas. Projeto gerenciado pela Funarbe visa frear o desmatamento na Amazônia e propõe levar sustentabilidade à agricultura local.

As décadas de 60 e 70 foram marcadas pelo boom do desmatamento na Amazônia, quadro que se intensificou com outros adventos, a exemplo da encefalopatia espongiforme bovina, popularmente conhecida como vaca louca, e a intensa exploração da borracha brasileira.

Mais tarde, o impacto provocado pelo cultivo da soja também foi visível.  E, nos anos 2000, a pecuária entrou em cena como a grande vilã do desmatamento na Amazônia, sendo a atividade com maior impacto ambiental, responsável por 65% do desflorestamento na região, segundo estudo divulgado pelo Imazon, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia. *

A realidade é que as florestas estão se transformando em terras queimadas e degradadas para dar espaço para a pecuária e, em alguns casos, posterior plantação de soja. E, uma vez desmatada, as consequências podem levar à extinção de espécies vegetais e animais, ocasionando danos irreparáveis para o ecossistema amazônico.

A agropecuária na região não é sustentável e esforços precisam ser gerados para reverter essa situação. É o que tem feito o professor e pesquisador do Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Marcos Heil Costa, que, na tentativa de amenizar as estatísticas da degradação ambiental, estuda o desmatamento na região e junto com sua equipe propõe saídas sustentáveis para a agricultura local.

Para o professor, o desmatamento da Floresta Amazônica é um dos principais problemas ambientais da atualidade e isso ocorre devido à sua extensão territorial e, sobretudo, ao seu alto grau de importância para o meio ambiente. A vegetação natural tem papel essencial na regulação climática, além de contribuir para as chuvas, uma vez que garante umidade à região.

Os pesquisadores realizaram um diagnóstico da região e fizeram levantamento do uso do solo para então propor soluções sustentáveis. Uma das alternativas encontradas pelos estudiosos é baseada na rotação entre pastagens e culturas agrícolas. Segundo eles, a rotação entre culturas e pastagens possibilita um melhor aproveitamento e utilização do solo e, além de proporcionar redução dos impactos ambientais, também gera consequências ao impacto econômico.

“Muitos pecuaristas e produtores agrícolas acham que é mais compensatório invadir a floresta e desmatá-la do que recuperar um pasto já degradado. Mas, essa é uma ideia que precisa ser mudada. A população deve entender que todos os recursos presentes no ecossistema se complementam, são parte de um mesmo processo. Uma boa atividade agrícola depende de recursos hídricos que dependem das florestas. É um ecossistema e não tem como pensar nesses recursos de forma separada, porque eles são um conjunto”, comenta Marcos.

Diante desse contexto, torna-se necessário desmitificar a visão de que é preciso desmatar novas áreas para a criação de gado. Assim, as informações são repassadas para órgãos federais, estaduais e demais instituições interessadas para a formulação de políticas públicas e continuidade do projeto.

 

* Fonte: https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2017/09/05/pecuaria-e-responsavel-por-65-do-desmatamento-da-amazonia.htm

Foto: Daniel Sotto Maior/ Arquivo pessoal