#ProfessorExplica: Coronavírus no Carnaval, devo me preocupar?

Um dos feriados mais esperados do ano chegou, mas nem todo mundo está no clima de folia. Nos últimos meses, um novo vírus deixou várias vítimas na China, local onde foi encontrado, e infectou pessoas em alguns outros países na Ásia, América e Europa. O coronavírus causa simples sintomas de gripe até graves doenças pulmonares.

No Brasil, ainda não existem casos comprovados, mas a ameaça de chegar aqui já causa preocupação em muita gente. As pessoas acreditam que o feriado pode potencializar a disseminação da doença devido ao deslocamento e a aglomerações de pessoas.

Afinal, devemos nos preocupar com o coronavírus neste carnaval? Para responder a essa pergunta, conversamos com o Prof. Sergio Paula, do Laboratório de Imunovirologia Molecular do Departamento de Biologia Geral da UFV que, em entrevista, nos tranquilizou sobre o possível surto de coronavírus no Brasil, nos alertou sobre quais vírus e bactérias nós realmente deveríamos nos preocupar, e trouxe possíveis medidas preventivas e cuidados que podemos ter.

Prof Sérgio Funarbe Notícias

Produção/Funarbe/Prof. Sergio Paula

Começamos a nossa conversa com a pergunta que não quer calar: o coronavírus é realmente um perigo neste carnaval? O prof. Sergio respondeu dizendo que não acha que há necessidade de alarme muito grande em relação a esta infecção. Há preocupação por ela ser uma doença infecciosa de transmissão aérea, que se espalha e contamina de maneira rápida. Mas no Brasil, por ser um país tropical e ainda estarmos no verão, ele não vê tanta preocupação.

“A transmissão vai ser mais comum e eficaz em países temperados. Por causa do frio, a tendência de condensação populacional é muito grande. Elas ficam mais em locais fechados e com contato mais próximo. Entretanto, mais cedo ou mais tarde ele vai chegar aqui, mas será um caso importado de alguém que teve contato direto com locais contaminados, voltou para o Brasil e desenvolveu a doença”, continua ele, e termina dizendo que é interessante ressaltar que o coronavírus tem características infecciosas menores que outros que temos, como Sarampo, Herpes ou Hepatite. Diversas viroses têm características infecciosas bem mais eficientes do que o Coronavírus. É um certo grau de exagero, o alarmismo em cima desta virose.

Casos de dengue e sarampo avançam no país, seriam essas as ameaças do Carnaval? Perguntamos e o professor respondeu: “Acredito que de maneira geral, ameaças ao carnaval ainda são as IST (Infecções Sexualmente Transmissível). Os vírus e as bactérias podem ser transmitidos mesmo que a pessoa não desenvolva nenhuma sintomatologia da doença, por estarem incubados. Os principais são o Vírus do Papiloma Humano (HPV) e HIV, que apesar de infecções tratáveis, reduzem a qualidade de vida do indivíduo infectado que também pode ter problemas oriundos da terapia de tratamento. Essas que comentei, são causadas por vírus, mas há também doenças bacterianas. E algumas já estavam quase em extinção e retornaram com muita força, por exemplo a sífilis, e outras como a gonorréia e a clamídia”.

Calma! Nem tudo está perdido, ainda é possível curtir o carnaval de maneira segura e saudável. Para isso, a atenção deve ser dobrada. O Prof. Sergio salienta alguns pontos que vão fazer a festa ser boa para você, para as pessoas ao seu redor, e para o meio ambiente.

“Além das doenças, existem vários outros fatores que precisamos tomar cuidado no carnaval, alguns são educacionais. Violências e assédios contra mulheres, por exemplo; reagir a furtos, evitar levar aparelhos eletrônicos e andar sempre em grupo para não ficar em lugares isolados; excesso do consumo de álcool, tem outras formas de transporte que ajudam a evitar pegar direção, acidentes desta natureza matam mais que essas doenças que mencionamos; e prejuízo ao meio ambiente. Acredito que o folião de modo geral, tem que ter essa consciência ambiental da garrafa, do copo, do papel, do plástico, de dar um destino correto para tudo que ele produz durante esse feriado. Lixos em locais incorretos podem contribuir para a proliferação de mosquitos, como o Aedes que transmite dengue, Mayaro, chikungunya“.

Ele termina dizendo sobre a importância nos vacinarmos, pois isso previne muitas doenças e ainda evita que retornem. “Infelizmente os movimentos antivacina fizeram as pessoas pararem de se vacinar. Se formos picados e estivermos vacinados o vírus vai morrer no nosso corpo, porque produzimos anticorpos para nos proteger. Isso se chama imunidade de população. Com a baixa vacinal, começam a aparecer esses surtos, de Rubéola, Catapora, Sarampo, e por aí vai. Mas isso está diretamente relacionado à baixa cobertura vacinal”, afirma Sergio.

Como vocês podem ver, a solução é simples. É preciso se vacinar, usar preservativo, ficar atentos aos maus hábitos, se hidratar e usar roupas leves para curtir bem essa época do ano.