Dia do Engenheiro Florestal, entrevista com professor Jorge Luiz Colodette

Em entrevista, o professor Jorge Luiz Colodette, coordenador de projetos na Funarbe e referência internacional na área de Engenharia Florestal, fala sobre as perspectivas do setor e o perfil deste profissional.

12 de julho, dia do Engenheiro Florestal, profissional que se dedica a estudar, planejar e analisar os ecossistemas a fim de obter uma utilização sustentável dos recursos florestais. No Brasil, a Engenharia Florestal foi criada no ano de 1960, na Universidade Federal de Viçosa.

A área vem passando por profundas transformações, influenciada pela crescente substituição do papel pelas mídias online, pela exploração de alternativas energéticas, pelas mudanças climáticas, aspectos relacionados à sustentabilidade entre tantas outras variáveis.

Verificou-se ainda um avanço no desenvolvimento de produtos e processos industriais, com o surgimento, em momento mais recente, do conceito de biorrefinarias.

“Biorrefinaria é uma instalação que integra processos de conversão de biomassa em biocombustíveis, insumos químicos, materiais, alimentos, rações e energia. O objetivo é otimizar o uso de recursos e minimizar os efluentes. A ideia é de que tudo que é feito de combustível fóssil como o petróleo, possa ser feito de uma árvore”, explica Colodette.

Para o pesquisador, os principais desafios do setor são de caráter tecnológico, o que vem motivando investimentos em pesquisa e desenvolvimento visando identificar e viabilizar produtos de maior valor agregado em toda a cadeia produtiva.

De uma maneira geral, amplia-se a utilização múltipla e total das árvores e de subprodutos florestais e industriais, a exemplo da lignina no setor de papel e celulose. Na área de processamento industrial, destacam-se avanços em bioenergia, tanto no uso direto da madeira como componente térmico ou termoelétrico, quanto na produção direta de combustíveis de segunda geração.

Outra parte das iniciativas em inovações é a integração do setor a outros segmentos com a ampliação do mercado de biomateriais, com destaque para bioplásticos, têxteis, biocompostos, paineis e materiais automotivos.

A aplicação de produtos florestais na produção de compostos químicos segue se desenvolvendo.

Segundo Colodette, a área de engenharia florestal no Brasil está em constante processo de transformação, renovação e evolução. Criatividade, capacidade de inovar e uma visão sistêmica e integrada entre conhecimento, processos tecnológicos e produtivos são competências cada vez mais exigidas nesse setor.

“Nossos profissionais devem não apenas conhecer intimamente o comportamento e as necessidades das árvores, mas também os processos produtivos e tecnológicos dos produtos florestais. É importante que ele tenha uma visão do todo e siga por esse caminho da inovação para que consiga se destacar no mercado”, afirma Colodette.

 

Sobre o professor Colodette

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Prof. Jorge Colodette, Departamento de Engenharia Florestal da UFV

 

Formou-se em Engenharia Florestal em 1978 pela Universidade Federal de Viçosa, onde também concluiu o mestrado em Ciência Florestal em 1981. Em 1986, concluiu o doutorado no College Environmental Science and Engineering da Universidade de Nova York, USA. Trabalhou como pesquisador visitante do grupo de branqueamento de pastas mecânicas da Abitibi-Price Inc. em Mississauga, Canadá, em 1987. Realizou treinamento, a nível pós-doutorado, na Universidade Estadual da Carolina do Norte no período de 1992 a 1993. É professor titular da Universidade Federal de Viçosa desde 1994, trabalhando em ensino e pesquisa nas áreas de química da madeira e de branqueamento de celulose. Publicou mais de cem trabalhos técnico-científicos em revistas e anais de congressos nacionais e internacionais e registrou cerca de dez patentes no INPI, no USA Patent Office e no European Bureau of Patents. Jorge Luiz Colodette recebeu o título honorário de “Tappi Fellow” da Technical Association of the Pulp and Paper Industry Norte Americana. O prêmio é um reconhecimento aos profissionais com destacada contribuição técnico-científica no desenvolvimento de novas tecnologias de fabricação de polpa celulósica, em nível mundial.