Dia da Saúde e Nutrição, entrevista com a professora Ceres Mattos Della Lucia

 

 

Em comemoração ao Dia da Saúde e Nutrição, batemos um papo com a professora Ceres Mattos Della Lucia, do Departamento de Nutrição e Saúde da UFV, sobre alimentação saudável.

Ela é coordenadora de dois projetos gerenciados pela Funarbe e possui doutorado na área de Ciência da Nutrição.

 

Confira a reportagem abaixo.

 

Existe mesmo uma relação entre alimentação e prevenção de doenças?

Sim. A ingestão prolongada de alguns tipos de alimentos considerados não saudáveis, que apresentam alta concentração de açúcar, sódio, gorduras saturadas e baixo conteúdo de fibras alimentares, pode aumentar o risco de doenças. Adquirir bons hábitos alimentares pode sim prevenir doenças crônicas não transmissíveis e ajudar na prevenção de doenças já instaladas. Além disso, é importante atentar-se ao modo de preparo e ao processamento dos alimentos, que também tem influência na prevenção ou no aumento do risco de doenças.

 

A alimentação balanceada pode ajudar com os sintomas de ansiedade ou a compulsão por comida? Qual a sua sugestão para as pessoas que sofrem com essas doenças?

Sim, desde que todos aprendamos a ter uma boa relação com a comida. Alimentar-se é um ato saudável, prazeroso e social. O principal desafio é adotar a ideia do “comer consciente”. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o significado de saúde vai além da prevenção de doenças e se refere a um completo bem estar físico e mental. Assim, o recomendado é procurar ter uma vida equilibrada, aliada a um acompanhamento alimentar sem culpas e que seja adequado à prática de alguma atividade esportiva.

A minha sugestão para quem sofre com esse tipo de problema é procurar a ajuda de profissionais especializados, tais como nutricionistas, médicos, psicólogos, e educadores físicos. A atuação conjunta desses profissionais é um critério importantíssimo que deve ser levado em consideração.

 

Qual seria a melhor forma de ingerir ou preparar um alimento?

Os alimentos costumam ser divididos em categorias: in natura, minimamente processados e ultraprocessados. As formas in natura e minimamente processada devem ser as preferidas, entretanto, sabemos que o processamento é, muitas vezes necessário, por possibilitar transformações ao alimento que aumentam sua segurança e tempo de prateleira, além de favorecer seu acesso a todos, especialmente àqueles indivíduos que vivem nos centros urbanos. O processamento doméstico dos alimentos também deve ser realizado da forma mais controlada possível, especialmente quanto ao tempo, quantidade de água e gordura a ser utilizada, tempo de sanitização e de cozimento. Métodos de cozimento como a cocção a vapor, a grelhagem e o cozimento em quantidade controlada de água, por exemplo, são mais indicados do que frituras.

 

A alimentação exerce de fato um controle maior sobre o peso de uma pessoa do que a prática de atividade física?

Para mim, esses dois fatores têm igual importância. Para que ocorra a redução de peso, deve haver um equilíbrio entre alimentação, descanso (sono) e atividade física. Quando esses agentes dialogam entre si, eles são capazes de proporcionar a diminuição do peso, além, claro, de uma vida mais saudável.

 

Hoje em dia fala-se muito em reeducação alimentar. Quais são os cuidados que devem ser tomados para quem deseja reeducar seus hábitos alimentares e ter mais qualidade de vida?

Minha dica é que a pessoa mantenha um bom planejamento e adote o hábito de fazer boas escolhas alimentares no seu dia a dia. É claro que algumas vezes a gente dá uma “fugidinha” aqui e outra ali, o que é saudável, já que não vivemos em um ambiente totalmente controlado. Além disso, comer envolve alegria, reunião e prazer. Por isso, o conceito de reeducação alimentar é tão importante e vai além do “fazer dieta”.

As pessoas têm que entender que reeducação alimentar é um processo, ou seja, não se dá do dia para a noite. É uma ação gradativa, contínua e que exige tempo.

 

Qual conselho você daria para uma pessoa que busca ter uma alimentação saudável?

Meu conselho é “desembalar menos e descascar mais”. Adotar a reeducação alimentar e enxergá-la como um projeto a longo prazo. Fazer as pazes com a comida, buscando alimentos que fazem bem e adotando pequenas atitudes que levem à hábitos saudáveis.